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AULA 10  Inadaptés , Inclusão e Mantoan  Sempre me perguntei sobre as escolhas feitas pela professora Maria Teresa Eglér Mantoan que a levaram ao caminho da inclusão ainda nos anos de 1980. O que teria despertado nela a urgência de pensar a escola como um lugar de aparição das multiplicidades e das singularidades? Um espaço habitado e invadido por uma “ética da diferença”? Na aula de hoje, me deparei com a jovem Maria Mantoan. Ao dar continuidade aos seus estudos na França, ela se aproxima dos chamados inadaptés — alunos cujo adjetivo já é, por si só, revelador das inúmeras violências a que eram submetidos. Quem eram esses inadaptados na França da década de 1970? Aqueles e aquelas que, por seus modos de existir, eram compreendidos como “ameaças”, “anomalias” em um sistema de ensino com estratégias e metodologias definidas e cristalizadas. Eles, os inadaptados, denunciavam toda a violência do paradigma moderno da educação, com seus enquadramentos, suas identidades fixas e hege...
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Aula 8 Florestas, Canteiros e Joseph Jacotot   O princípio do ensino universal tem a ver mais com a política e com a filosofia do que propriamente com a pedagogia. Rompe de forma radical com o  que se denomina “paradigma da modernidade”, ou seja, o momento em que a ciência se separa, se descola da filosofia. Nós hoje enxergamos essa separação como natural. Caímos nesse mundo histórico, que é o século XXI, em que ciência é uma coisa, filosofia é outra. Isso está expresso na divisão disciplinar que fazemos. Quem faz Filosofia, não faz Ciência. Isso tem o seu nascimento na Era Moderna e a sua consolidação ocorre no século XVIII, o século da Luzes. O mundo ocidental anterior à Modernidade não tinha essa separação tão expressa. Tanto que os filósofos gregos da Antiguidade eram chamados de fisiologois ( logos – conhecimento, palavra, discurso, saber, linguagem...uma palavra polissêmica)...eram aqueles que buscavam conhecer através da palavra, da linguagem, do discurso, a f isis , q...
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 Aula 7 "No descomeço era o verbo. Só depois é que veio o delírio do verbo. O delírio do verbo estava no começo, lá onde a criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos. A criança não sabe que o verbo escutar não funciona para cor, mas para som. Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira. E pois. Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer nascimentos  O verbo tem que pegar delírio." (Manoel de Barros) Chegamos à metade do curso. Rancière nos conduz ao encontro com Joseph Jacotot — um professor que recusa ser mestre no sentido tradicional. Ele não ensina para transmitir saberes, mas para afirmar que não há hierarquia de inteligências. Para Jacotot, qualquer um pode aprender qualquer coisa, desde que esteja mobilizado pela vontade e pela atenção. A escola, nesse horizonte, deixa de ser o lugar da explicação e passa a ser o espaço da emancipação: não se trata de conduzir o outro ao saber, mas de reconhecer que ele já é capaz. O ato educativo, portanto, não ...
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 Aula 6 A  palavra  “escola”  vem  do  grego  scholeío ,  que  significa “lugar  do  ócio”.  No  entanto,  o  "ócio"  para  os  gregos  antigos  não guardava  qualquer  relação  com  algo  da  ordem  da  preguiça,  da vadiagem ou desvalorização do trabalho. "Ócio" para os gregos tem a ver com a atividade contemplativa, ou seja, com uma ruptura no modo  vulgar  e  cotidiano  com  que  nos  relacionamos  com  os fenômenos mundanos. Neste sentido, "ócio" e atitude contemplativa apontam para uma nova lida do sujeito com o conhecimento, uma quebra nos automatismos diários que abre a possibilidade de manter uma relação menos imediata e mais pautada na tarefa de manter com o  mundo  uma  postura  crítica,  reflexiva  e  criativa.  A  escola,  neste sentido, ...
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 Aula 5 Identidade e Diferença: o que isso tem a ver com inclusão? A ferrovia foi pintado em 1872 por Edouard Manet. A passagem do século XIX para o século XX é marcada por uma profunda crise. A chamada crise do princípio do fundamento , crise dos suportes metafísicos da tradição ocidental, crise das identidades hegemônicas, é justamente o acontecimento histórico a partir do qual emerge o pensamento contemporâneo, a condição contemporânea.  Esta crise que inaugura o contemporâneo será dita e experimentada em múltiplas dimensões: crise do sujeito, crise da identidade, crise do fundamento, crise da representação, crise da linguagem. Esse Acontecimento histórico marca a transformação radical do homem em relação às coisas em geral. Com a totalidade do que é. Neste sentido, categorias metafísicas não têm mais como estruturar a existência, ou seja, a impossibilidade de continuar operando com as categorias da tradição. Foi Nietzsche quem descreveu pela primeira vez a existência...
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 Aula 4 O professor: E como aprendemos, então? Ernesto: Aprendemos quando queremos aprender, senhor. O professor: E quando não queremos aprender? Ernesto: Quando não se quer aprender, não vale a pena aprender. Marguerite Duras A aula de hoje me levou a revisitar o livro  A escuta das diferenças , de Carlos Skliar, cuja obra é referência incontornável quando se trata de pensar a educação inclusiva a partir de uma perspectiva ética, estética e política. Skliar, pesquisador do Instituto de Investigações Sociais da América Latina, vinculado à FLACSO e ao Conicet, com formação em Fonoaudiologia e doutorado em Ciências da Recuperação Humana, tem se dedicado a uma escrita que desafia os discursos pedagógicos tradicionais e convida à escuta sensível das singularidades humanas. Durante o encontro, debatemos sobre os processos de ensinar, aprender e avaliar sob a ótica da inclusão. Skliar nos provoca a repensar esses atos não como práticas técnicas ou burocráticas, mas como gestos profu...
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 Aula 2  Qual é a economia do olhar do Ocidente? O que significa conhecer dentro dessa tradição? Como podemos incorporar as noções de identidade e diferença nos debates educacionais contemporâneos? E, afinal, qual é a relação entre identidade, diferença e inclusão ? Nosso segundo encontro foi marcado por uma ampliação significativa do debate em torno da tradição filosófica ocidental. Longe de ser apenas uma herança do passado — como se fosse um vestígio arqueológico ou um museu ideológico — essa tradição ainda opera como matriz ativa de pensamento. Continua a moldar os modos de percepção, os critérios de validação do conhecimento e os padrões de comportamento que nos atravessam cotidianamente. Mesmo que esses modos de estruturação já não sejam capazes, em sua totalidade, de sustentar os nossos modos de existência como outrora, eles permanecem como forças normativas que tensionam nossas práticas, nossas instituições e nossas subjetividades. É nesse contexto que discutir  ...