Aula 8 Florestas, Canteiros e Joseph Jacotot O princípio do ensino universal tem a ver mais com a política e com a filosofia do que propriamente com a pedagogia. Rompe de forma radical com o que se denomina “paradigma da modernidade”, ou seja, o momento em que a ciência se separa, se descola da filosofia. Nós hoje enxergamos essa separação como natural. Caímos nesse mundo histórico, que é o século XXI, em que ciência é uma coisa, filosofia é outra. Isso está expresso na divisão disciplinar que fazemos. Quem faz Filosofia, não faz Ciência. Isso tem o seu nascimento na Era Moderna e a sua consolidação ocorre no século XVIII, o século da Luzes. O mundo ocidental anterior à Modernidade não tinha essa separação tão expressa. Tanto que os filósofos gregos da Antiguidade eram chamados de fisiologois ( logos – conhecimento, palavra, discurso, saber, linguagem...uma palavra polissêmica)...eram aqueles que buscavam conhecer através da palavra, da linguagem, do discurso, a f isis , q...
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Mostrando postagens de setembro, 2025
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Aula 7 "No descomeço era o verbo. Só depois é que veio o delírio do verbo. O delírio do verbo estava no começo, lá onde a criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos. A criança não sabe que o verbo escutar não funciona para cor, mas para som. Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira. E pois. Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer nascimentos O verbo tem que pegar delírio." (Manoel de Barros) Chegamos à metade do curso. Rancière nos conduz ao encontro com Joseph Jacotot — um professor que recusa ser mestre no sentido tradicional. Ele não ensina para transmitir saberes, mas para afirmar que não há hierarquia de inteligências. Para Jacotot, qualquer um pode aprender qualquer coisa, desde que esteja mobilizado pela vontade e pela atenção. A escola, nesse horizonte, deixa de ser o lugar da explicação e passa a ser o espaço da emancipação: não se trata de conduzir o outro ao saber, mas de reconhecer que ele já é capaz. O ato educativo, portanto, não ...
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Aula 6 A palavra “escola” vem do grego scholeío , que significa “lugar do ócio”. No entanto, o "ócio" para os gregos antigos não guardava qualquer relação com algo da ordem da preguiça, da vadiagem ou desvalorização do trabalho. "Ócio" para os gregos tem a ver com a atividade contemplativa, ou seja, com uma ruptura no modo vulgar e cotidiano com que nos relacionamos com os fenômenos mundanos. Neste sentido, "ócio" e atitude contemplativa apontam para uma nova lida do sujeito com o conhecimento, uma quebra nos automatismos diários que abre a possibilidade de manter uma relação menos imediata e mais pautada na tarefa de manter com o mundo uma postura crítica, reflexiva e criativa. A escola, neste sentido, ...
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Aula 5 Identidade e Diferença: o que isso tem a ver com inclusão? A ferrovia foi pintado em 1872 por Edouard Manet. A passagem do século XIX para o século XX é marcada por uma profunda crise. A chamada crise do princípio do fundamento , crise dos suportes metafísicos da tradição ocidental, crise das identidades hegemônicas, é justamente o acontecimento histórico a partir do qual emerge o pensamento contemporâneo, a condição contemporânea. Esta crise que inaugura o contemporâneo será dita e experimentada em múltiplas dimensões: crise do sujeito, crise da identidade, crise do fundamento, crise da representação, crise da linguagem. Esse Acontecimento histórico marca a transformação radical do homem em relação às coisas em geral. Com a totalidade do que é. Neste sentido, categorias metafísicas não têm mais como estruturar a existência, ou seja, a impossibilidade de continuar operando com as categorias da tradição. Foi Nietzsche quem descreveu pela primeira vez a existência...