Percepções sobre a Disciplina Diferença e Inclusão
Finalizando essa disciplina, com um certo sentimento de saudade, trago aqui alguns pensamentos sobre os diálogos, reflexões e principais conteúdos que me afetaram, e foram muitos…
Escolhi essa imagem pois ela me remete um pouco aos temas estudados, nela podemos ver um lindo espetáculo de um pôr do sol, mas também poderia ser de um nascer do sol e quem ousaria dizer que não? O mesmo sol faz sua luz atravessar todo o planeta todos os dias, por milhares de pessoas, todas diferentes, e que diferença é essa? A física é a menos importante.
Com as leituras e diálogos ocorridos ao longo do semestre, pudemos compreender que nem mesmo um elemento simples da natureza, como uma folha, pode ser igual a outra, quanto mais o ser humano, em sua complexidade, culturas, personalidades, realidades e crenças.
Com o apoio de Deleuze, Rancière, Schopke, Skliar, Silva, Lanuti, Machado e obviamente, Mantoan, pudemos aprofundar na compreensão de quanto a diversidade é prejudicial à inclusão e também sobre a riqueza da diferença para que a inclusão de fato aconteça.
Além desses autores, eu também ousaria dizer que Angelissa, Arlindo, Eliana, Gustavo, Juliana, Ligia e Viviane também enriqueceram as tardes com relatos de vivências, pontos de vista e descobertas que juntos fizemos. Acredito que todos saímos nos sentindo privilegiados por termos vivido essa experiência de afeto, desconstrução e afirmação sobre “A escola que queremos para todos”.
Todos os textos foram muito importantes para que todas essas experiências se realizassem, mas em especial, o livro “Por uma genealogia da diferença”, de Regina Schöpke, me deixou muito impressionada pois a obra traz uma espécie de linha do tempo desde a antiguidade até a contemporaneidade sobre a percepção da diferença para cada época e para cada pensador, baseado em Deleuze, já que o livro se trata de uma obra de Filosofia, em especial, Espinosa me trouxe muitas inquietações e meditações, sinto que ainda tenho que aprender muito com ele.
Embora não seja um pensador das diferenças, os conceitos produzidos por sua filosofia foram fundamentais para Deleuze, conceitos ligados à ideia de univocidade e imanência. Também gostei muito de pensar que em seu ponto de vista os encontros determinam a existência, todo encontro resulta do poder de afetar e de ser afetado dos existentes. Todo bom encontro aumenta nossa potência e a liberdade deve ser pensada como a força de encontrar tais potências, O autor propõe a ética da alegria, produzir alegrias, encontros alegres, fortalecer nossa potência de agir, para ele o rancor, a inveja e o ressentimento são resultados de paixões tristes. O conhecimento aliado aos bons encontros tornam o homem livre.
Para além dos autores, outro ponto importante aos meus sentidos, foram as vivências trazidas pelo grupo e pela querida professora Mantoan, elas enriqueciam as leituras e eram coerentes com os assuntos tratados, através delas nos entristecemos com realidades postas, nos preocupamos com ações governamentais e também nos alegramos com relatos de excelentes práticas.
Sou muito grata por essas tardes de terça-feira, de inverno e primavera do ano de 2025, elas alcançaram uma magnitude de pensamento, ação e reflexão que vão atravessar a minha vida daqui pra frente, me sinto impulsionada a continuar a luta, muitas vezes solitária, por uma inclusão verdadeira, baseada na valorização da diferença, que refuta qualquer tipo de categorização e exclusão. Como afirma Espinosa, foi um “bom encontro”, e todo bom encontro aumenta nossa potência, espero que esse precioso encontro nos fortaleça.
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