Diferença e inclusão: o que ficou sobre cada um desses encontros de grande reflexão e aprendizado...
Finalizando a disciplina "Diferença e Inclusão" com grandes reflexões proporcionadas pela professora Maria Teresa Mantoan... Reflexões que me fizeram entender muita coisa de forma diferente e pelas quais sou muito grata...
Acreditava que a diversidade era inclusiva e a educação especial também, porém, logo nas primeiras aulas, essas ideias caíram por terra. Nossa primeira leitura foi o capítulo "A produção social da identidade e da diferença" de Tomaz Tadeu da Silva, presente no livro "Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais" de Tomaz Tadeu da Silva e colaboradores, no qual eu entendi que a diversidade não muda e se limita ao existente, enquanto a diferença é múltipla, é movimento e está em constante mudança. Além disso, a identidade cria modelos perfeitos, deixando a diferença à margem. Destaquei um trecho da leitura que muito me marcou: "Em certo sentido, "pedagogia" significa precisamente "diferença": educar significa introduzir a cunha da diferença em um mundo que sem ela se limitaria a reproduzir o mesmo e o idêntico, um mundo parado, um mundo morto (Silva, 2014, p. 101).
Em seguida, discutimos o capítulo "Ensinar, Aprender e Avaliar na concepção inclusiva" do livro "A escola que queremos para todos" de Maria Teresa Eglér Mantoan e José Eduardo de Oliveira Evangelista Lanuti. Esta foi uma das leituras que mais gostei, pois deixou evidente que "O ensino para todos considera cada aluno como um aluno singular e reconhece suas capacidades, habilidades próprias e interesses particulares. O professor, nessa perspectiva, valoriza diferentes experiências, conhecimentos, interesses, curiosidades, indagações e respostas dos estudantes e não tem mais razões para segmentá-los em pequenos grupos por competências ou quaisquer outros critérios. Na concepção inclusiva, desfaz-se um grande pilar que caracteriza a linguagem excludente do ensinar e do aprender que tanto desejamos mudar" (Mantoan; Lanuti, 2022, p. 50).
O texto seguinte já foi mais difícil de compreender, o capítulo intitulado "Uma genealogia da diferença" do livro "Por uma filosofia da diferença: Gilles Deleuze, o pensador nômade" de Regina Schöpke. Desse texto, para mim ficou a seguinte reflexão, derivada da ideia de Espinoza: Em todo e cada encontro, afetamos e somos afetados pelo outro, vamos nos diferenciando, aprendendo e ensinando em nossas singularidades e, considerando as singularidades de nossos alunos, nos transformando, multiplicando, pensando com... Ensinando a partir dos interesses e das necessidades que os alunos nos trazem, com o mesmo conteúdo e diferentes acessos.
Na sequência, discutimos a emancipação intelectual a partir do prefácio do livro "O mestre ignorante: cinco lições sobre a emancipação intelectual" de Jacques Rancière. Sobre esse texto, dois pontos foram fundamentais: "Não há ignorante que não saiba uma infinidade de coisas, e é sobre esse saber, sobre esta capacidade em ato que todo o ensino deve se fundar" (Rancière, 2025, p. 11), uma vez que o saber não se resume a academia e, para concluir, trago o segundo ponto "Educamos para transformar o que sabemos, não para transmitir o já sabido" (Rancière, 2025, p. 6).
Na aula seguinte, continuamos a discussão sobre emancipação intelectual a partir do capítulo "A razão dos iguais" do livro "O mestre ignorante: cinco lições sobre a emancipação intelectual" de Jacques Rancière. Sobre essa discussão, para mim ficou que: a inteligência vai muito além do saber escolar... Essa inteligência é necessária para a nossa sobrevivência no mundo, para resolver problemas... "A inteligência é atenção e busca antes de ser combinação de ideias. A vontade é a potência de se mover, de agir segundo o movimento próprio, antes de ser instância de escolha" (Rancière, 2025, p. 83). Todas as inteligências são diferentes, pois a individualidade é a lei do mundo (Rancière, 2025). É a vontade de alcançar o conhecimento que vai mobilizar nosso aprendizado... Cada um tem um tempo e aprende de uma forma diferente... Nossos alunos podem e devem perguntar e podem conhecer muito mais que nós e sobre muitos assuntos conhecem. Portanto, o ponto principal nessa discussão está na emancipação, na desidentificação do sujeito...
A leitura seguinte foi uma divisão dos capítulos do livro "Jacques Rancière e a escola: educação, política e emancipação" de José Sérgio Fonseca de Carvalho. Desse livro, li dois capítulos, que foram discutidos em duas aulas: "Emancipação intelectual e formação do estudante secundarista" de Sandra Regina Leite e "Escola pública e tempo livre: a precariedade de uma relação possível" de Thiago Miranda dos Santos Moreira, sendo os dois textos derivados das ideias de Rancière, considerando a escola como tempo livre, no qual os alunos podem dedicar a atenção para o estudo.
E para finalizar, com chave de ouro, os textos indicados pela professora, fizemos a leitura do artigo "Uma escola hospitaleira" de Maria Teresa Mantoan, sendo essa escola "uma escola de todos, que garante o direito à educação, a partir da diferença de todos nós, em uma sociedade que, como nós e por nós, está se transformando a cada instante" (Mantoan, 2022, p. 6).
As três aulas seguintes foram de seminários, apresentados pelos estudantes da disciplina, nos quais foram retomados pontos de discussão das aulas anteriores e relacionados a outras teorias, como, no caso do ensino da matemática para todos, relacionados ao conhecimento interpretativo do professor.
Para finalizar essa retomada de todos os encontros até aqui, com o coração cheio de gratidão, concluo esse texto com uma frase muito utilizada pelo meu coorientador de mestrado, professor Miguel Ribeiro, "Depois de ver, não mais se consegue desver" e assim seguimos na luta por uma escola para todos.
Texto escrito por Ligia Espitti
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