AULA 10 

Inadaptés, Inclusão e Mantoan 

Sempre me perguntei sobre as escolhas feitas pela professora Maria Teresa Eglér Mantoan que a levaram ao caminho da inclusão ainda nos anos de 1980. O que teria despertado nela a urgência de pensar a escola como um lugar de aparição das multiplicidades e das singularidades? Um espaço habitado e invadido por uma “ética da diferença”?
Na aula de hoje, me deparei com a jovem Maria Mantoan. Ao dar continuidade aos seus estudos na França, ela se aproxima dos chamados inadaptés — alunos cujo adjetivo já é, por si só, revelador das inúmeras violências a que eram submetidos. Quem eram esses inadaptados na França da década de 1970? Aqueles e aquelas que, por seus modos de existir, eram compreendidos como “ameaças”, “anomalias” em um sistema de ensino com estratégias e metodologias definidas e cristalizadas. Eles, os inadaptados, denunciavam toda a violência do paradigma moderno da educação, com seus enquadramentos, suas identidades fixas e hegemônicas.
Maria Mantoan se interessou exatamente por aqueles que o sistema já havia condenado. Acreditava — e continua acreditando — que há muitas formas de saber e de aprender que a escola insiste em aprisionar e neutralizar. A jovem Mantoan, inquieta, combativa e persistente, tinha como norte a percepção de que qualquer um pode aprender qualquer coisa, desde que lhe sejam garantidas as possibilidades de recomeço. E que era preciso sustentar esses encontros. Abrir a porta de casa e hospedar esse outro sem impor-lhe condições.
Sua fala no encontro de hoje revelou a força de uma mulher coerente com suas escolhas acadêmicas e profissionais. Revelou ainda a firmeza de quem compreende que a inclusão não é uma concessão, mas uma transformação radical da escola e de seus fundamentos. Mantoan nos convoca a abandonar os modelos excludentes e a construir coletivamente uma escola em que habitamos o lugar da ética. Um lugar em que ousamos escutar os silenciados, e acreditamos na potência dos corpos e vozes que o sistema tentou apagar. Educar, neste sentido, é um gesto de abertura ao outro, de abertura ao mistério que habita cada um de nós. 

Comentários

  1. Qual a diferença entre o que fazemos e o que estamos estudando hoje como papel do professor diante da questão do ensinar e do aprender.
    A escola acolhe “o hóspede” mas pede para deixar a mochila.
    Ensinar a turma toda não precisa partir de uma aula mas saber o que os alunos sabem e o que querem saber para apresentar as atividades, pois é aí que você vai dar aula.
    Precisa mudar a concepção e não colocar um professor por aluno.
    Quanto mais você divide os grupos e fortalecer os atributos externos, menos você inclui e mais motivos você tem para requererem o que é típico desses grupos, que é externo.
    A pessoa está sempre se transformando.
    A inclusão não difere do que é visível e sim acontece pelo que a pessoa é.
    A Pós modernidade é chamada de pastiche (Mistura).
    A diversidade faz parte da modernidade, ela define os caracteres.
    A pós-modernidade tem a concepção de grupos em territórios diferentes.
    Para ter e manter o poder é importante repartir as pessoas.

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  2. As transformações já aconteceram desde o momento no qual entrei pela primeira vez na sala de aula da professora e encaro que todas as nossas discussões servem de base para as revoluções. Encaro que as mudanças nunca virão “de cima para baixo”, diferentemente das cobranças, e devemos começar a usar o sistema contra o sistema. As burocracias serão tratadas como “burrocracias” (IA) e o que mais importa será tratado com importância, ou seja, o aluno e a aluna com a sua devida emancipação.

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