Diários de aula
Dia 05/08
A aula inaugural da disciplina partiu de um questionamento central: o que cada um de nós espera encontrar nos debates promovidos ao longo do curso? O que chamou a atenção foi que, ao responderem a essa provocação, os integrantes da turma, de modo geral, percebem a escola como um espaço de enquadramento, uniformização e calcificação de práticas e saberes. Como transformar esse estado de coisas? O que pode, afinal, a escola? (Angelissa)
Dia 12/08
Identidade e Diferença. Como permitir que essa gramática circule entre os muros altos das cristalizações e os silêncios impostos pelos enrijecimentos? Que medo é esse que impede essas palavras de se moverem livremente? Talvez seja o receio de que, ao deixarmos nossos canteiros bem delimitados, sejamos engolidos pela floresta — esse lugar de multiplicidade, mistério e indomesticável potência. Mas é justamente aí que reside a urgência: restaurar a intimidade com o que escapa, com o que não se deixa capturar, com o que pulsa fora das margens. (Angelissa)
Dia 19/08
Dia 26/08
O que pode a existência? As coisas são ou estão sendo? Que falta faz a essência se o viver se dá no plano da aparacição, da aparência? Os debates sobre identidade e diferença nos requisitam um abandono das nossa convicções tão solidamente construídas. É preciso olhar para aquilo que sobra, que resta, que vaza. "É tomar a vida como ela chega." (Angelissa)
Dia 02/09
Dia 09/09
Sobre emancipação, criança e existência. Mãe, nós existimos? Essa frase despretensiosa da Nina, minha filha, ganhou contornos distintos na aula de hoje. Essa estrangeiridade do pensar e de experimentação do tempo da presença. Se aventurar pelo pensamento. É isso que Jacotot acentuava como emancipação. Uma atitude curiosa com o mundo. Não há mais ou menos inteligências. Há devires. (Angelissa)
Dia 16/09
Professora, posso perguntar? O que pode uma pergunta? Não aquela em que o mestre já conhece a resposta, mas a pergunta que provoca deslocamentos, que inunda o pensamento e desestabiliza certezas. A escola deveria ser o lugar onde qualquer pessoa se sente habilitada a perguntar sobre qualquer coisa. Qualquer coisa. Quando foi que abandonamos a dimensão da curiosidade e da busca, cedendo espaço à ordenação e ao embrutecimento? (Angelissa)
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